índice - poesia - filosofia - e-mail

Animais...freedom



A informação constante nesta página está também disponível numa variedade de páginas (em português e inglês), com fotos, etc. Por exemplo:
http://vegan.com.sapo.pt/

Uma das páginas principais em inglês é a da PETA (People for the Ethical Treatment of Animals). Para uma análise mais mais 'filosófica' (um pouco na linha de Peter Singer) vejam os textos em português de Carlos João e Cristina Beckert. Ou a sua página principal em inglês.

Na pesquisa que fiz, a maior parte da informação foi coligida por pessoas que se converteram ao vegetarianismo, e em suporte do vegetarianismo. No entanto, parece-me claro que são questões independentes. Uma coisa é causar imensa dor num animal, por períodos enormes de tempo (praticamente toda a sua vida) só para aumentar as margens de lucro; outra coisa é o nojo que podemos sentir perante certos alimentos. As questões que se colocam não são as mesmas. Por exemplo pode argumentar-se que, se soubermos que os animais são criados em condições dignas, o vegetarianismo seria algo negativo para os próprios animais, na medida em que iria levar a uma enorme redução do seu número. Outro exemplo: nas antigas quintas, os animais eram criados e depois mortos e comidos pelas pessoas que os tinham criado, mas isso não parecia levar a problemas de consciência de maior. O que para mim é verdadeiramente aflitivo é a dor e desespero que os animais sentem enquanto estão vivos, é o facto de viverem uma vida de dor permanente que é inadmissível, é a insensibilidade à sua dor que temos de combater.




"A COMPETIÇÃO na produção de carne, ovos e laticínios mais baratos levou a agroindústria a uma visão na qual os animais são "commodities" e não seres viventes e sencientes.
Quase todas as leis contra crueldade com os animais nos EUA efetivamente isentam as "práticas agriculturais padrão". Estas práticas padrão resultam em um tremendo sofrimento, uma parte do qual é documentada aqui.

A TÊNDENCIA MUNDIAL na agroindústria tem sido substituir as fazendas familiares, como as que podem ser vistas numa viagem por estradas rurais, por fazendas corporativas usando sistemas de confinamento intensivo. Mais de 90% dos animais de fazenda nos EUA são criados em confinamento intensivo. Basta somente passar os olhos em jornais da agroindústria para ver que os sistemas intensivos são promovidos e defendidos como sendo necessários para a produção de carne de baixo custo.

Devido ao fato de que um animal morto não tem utilidade para a agroindústria, as pessoas tendem a acreditar que os animais nas fazendas são bem tratados. Esta ideia é falsa. A superpopulação de animais em condições não naturais faz com que muitos morram mas, no total, o retorno da produção é maior. A National Hog Farmer diz: "Superpopular porcos compensa, se gerenciado adequadamente.".
Bernard Rollin, PhD, afirma que "é muito eficiente economicamente colocar um grande número de aves numa gaiola, aceitando menor produtividade por ave mas maior produtividade por gaiola...animais individuais podem 'produzir', por exemplo, ganhar peso, em parte porque estão imóveis, embora sofram pela impossibilidade de movimentação... as galinhas são baratas, as gaiolas são caras." (Bernard Rollin, PhD, Farm Animal Welfare, Bem-estar dos animais em fazendas, Iowa State U Press, 1995).
Para que a comida não seja desperdiçada por actividades desnecessária, os animais nos sistemas intensivos são mantidos em locais fechados com centenas a dezenas de milhares de outros animais, em jaulas ou baias com pouco espaço para movimentação, geralmente em construções sem janelas. Eles também não recebem sequer o conforto de uma "cama", pois a palha interfere com sistema de limpeza (Rollin, 1995).

Os animais são modificados através de engenharia genética pela criação selectiva e particionamento de genes, são administrados hormonas, e sua alimentação e luminosidade ambiente são manipulados para um crescimento maior e mais rápido.
A enorme quantidade artificial de carne em seus corpos causa dor e inflamação nas juntas, as quais são agravadas pelo fato dos animais de fazenda passarem suas vidas em pisos de concreto, chapas ou gaiolas de metal (Am J Clin Nutr, 1994, 59:1110S-6S).

Os modernos antibióticos e vacinas são a razão pela qual os animais sobrevivem às condições intensivas até que atinjam o peso de mercado (ou tornem-se "gastos", o termo utilizado para vacas leiteiras ou galinhas poedeiras cuja produção cai e são enviadas para o matadouro).
As doenças são avassaladoras nos sistemas intensivos e muitos animais morrem devido à essas condições de vida. Em um estudo, a porcas em época de amamentação apresentaram uma taxa de mortalidade de 19.8% (Pig Intnl Abr/91).
Altas concentrações de amónio dos excrementos queimam as vias nasais dos animais e causam doenças respiratórias (Poultry Health and Management, Gerenciamento e Saúde das Aves, 1992).
Os animais nas fazendas-fábricas estão sujeitos aos extremos de temperatura, especialmente se os sistemas de controle nos galpões estiverem com defeito. Num exemplo, mais de 2 milhões de galinhas morreram de calor em julho de 1993 (Las Vegas Review-Journal, 1/8/93). No Novo México, centenas de novilhos morreram congelados durante uma nevasca (Associated Press, 12/25/97).
Vários procedimentos em animais de fazenda podem produzir dor aguda que se prolonga por horas ou mesmo dias.
Devido às considerações económicas, eles não recebem analgésicos (Pain in Animals, Dores em Animais, Charles Short, Ed. 1992).
Por exemplo, o gado é marcado várias vezes durante sua vida (causando queimaduras de terceiro grau), chifres são removidos, castrações pelo corte dos testículos com facas ou forçando sua queda amarrando-os para interromper o fluxo sanguíneo. Mais uma vez, por razões económicas, tudo é feito sem anestesia (Rollin, 1995).

Os animais sempre são manejados rudemente "no muque" ou ao estilo "cowboy". Os tratadores geralmente quebram as asas das galinhas quando pegam várias aves e as entulham em pequenas gaiolas nos caminhões de transporte.

Sinto Muito, Babe
Pela sua natureza, os porcos são curiosos e normalmente passariam metade do tempo cavando a terra. O enfado e a frustração do confinamento faz com que lutem e mordam suas caudas. A resposta da indústria é o corte das caudas dos porquinhos e a castração (tornando-os menos agressivos) sem o uso de anestesia.
Normalmente se pensa que não se precisa machucar a vaca para retirar seu leite. A verdade é que não é lucrativo manter as vacas vivas uma vez que sua produção de leite diminui. Assim, o consumo humano de laticínios leva directamente ao massacre de vacas.
De acordo com o Indianapolis Star (4/2/93), "mais de 90% das fábricas de laticínios americanas confinam as vacas em galpões pela maior parte de suas curtas vidas". As estatísticas de agricultura da USDA mostram que, em 1960, uma vaca produzia em média 3,5 ton de leite por ano; em 1990 ela produzia 7,4 ton. Após a aprovação da FDA do Hormônio de Crescimento Bovino (BGH/BST), a média em 1995 era de 8,2 ton. Algumas vacas tratadas com BGH produziram recentemente mais de 30 ton de leite num ano (Associated Press, 20/9/96). O BGH aumenta a incidência de mastite (inflamação e infecção da mama) (Feedstuffs, 24/3/97)

Se acreditarmos em absurdos, cometeremos atrocidades -- Voltaire
Como as vacas precisam gerar para lactar, beber leite de vaca cria o mercado de vitela. As vitelas machos não podem ser criados de forma lucrativa para o mercado de corte, então são abatidos com poucas semanas (algumas vezes horas) de vida.

...perus foram criados para crescer rápido e mais pesados mas seus esqueletos não acompanharam, o que causa "pernas tortas de cowboy". Normalmente os perus tem problemas para ficar em pé, caindo e ficando prostrados...
Aves
Mais de 95% das aves nos EUA são criadas em confinamento intensivo. Para maximizar a produção, 553 centímetros quadrados por ave é considerado adequado (Science of Animal Husbandry, Ciência da Criação de Animais, 1994). O excesso de excrementos faz com que a amónia queime os olhos das galinhas, levando por vezes à cegueira.

Devido a que naturalmente exploram o ambiente ciscando, as galinhas bicam umas às outras nas fazendas-fábricas. Para combater isso, os trabalhadores cortam até dois terços dos bicos sem anestesia. O corte de tecidos delicados com a faca causa dor que persiste por semanas e até meses (Poultry Science, Ciência das Aves 71, 1992). Algumas aves não conseguem comer após o corte dos bicos e morrem de fome.
Galinhas Poedeiras
Normalmente, quatro ou cinco galinhas poedeiras vivem em uma gaiola com piso de arame do tamanho de uma folha de jornal dobrada. As caixas normalmente são empilhadas umas sobre as outras, deixando que o excremento caia nas aves de baixo. Frequentemente, durante o dia, as galinhas tentam remover a sujeira e, na hora em que põem os ovos, elas tentam construir um ninho. Esse comportamento, que é necessário para seu bem-estar, não pode ser realizado numa gaiola de arame sem palha ou sujeira. Isto leva a fracturas nas pernas, ossos quebradiços, osteoporose e fraqueza muscular (Rollin, 1995).

Com o crescente conhecimento do comportamento e habilidades cognitivas do frango veio a percepção que o frango não é uma espécie inferior para ser tratado meramente como fonte de alimentação.

Em 1933, as galinhas punham em média 70 ovos por ano; em 1993, a média era de 275 (Rollin, 1995). No fim do ciclo de postura, as galinhas são "forçadas". Isto envolve mante-las com fome por 18 dias, no escuro e negando água de forma a causar um choque corporal e um novo ciclo de postura. As aves podem perder mais de 25% da massa corporal e é normal que 5-10% morram.
Devido ao fato de serem manipuladas para pôr ovos enormes, os úteros das galinhas podem "prolapsar" (o útero inteiro é expelido junto com o ovo).
A galinha não consegue escapar de dores severas senão morrendo.
As fábricas de ovos não usam os pintos machos; eles são jogados no lixo e morrem sufocados em sacos plásticos ou são decapitados, sufocados com gás ou esmagados.

Pode alguém olhar uma criatura vivente como uma propriedade, um investimento, um pedaço de carne, uma "coisa", sem degenerar em crueldade contra essa criatura?
O Futuro da Injustiça
Em meados de 1972, um veterinário escreveu uma carta ao jornal agropecuário inglês, Farmer and Stockbreeder, "Espero que muitos de meus colegas se juntem a mim e digam que já não estamos tolerando esses sistemas de criação, os quais, para dizer o mínimo, são realmente cruéis. Eficiência de custos e taxas de conversão vão bem num estado robotizado mas, se este é o futuro, quanto mais rápido eu pare de trabalhar tanto em criações como veterinário em fazendas, será melhor."
Desde então, não apenas as coisas pioraram para os animais em fazendas, mas pesquisadores avançam nas noções de desenvolvimento de galinhas poedeiras sem penas, asas ou pernas.



Partilha esta informação... estarás a ajudar a mudar o mundo...